Aos 72 anos e com mais de quatro décadas de trajetória política, o atual Superintendente Federal do MDA/SC fez uma pausa de dois meses para cuidar da saúde, em família


PARAR TAMBÉM É CUIDAR DA MISSÃO
Em uma rotina marcada por reuniões, decisões, compromissos, viagens e responsabilidades públicas, parar pode parecer difícil. Para quem dedica décadas à vida política e à defesa das lutas do povo, a sensação de que é preciso estar sempre disponível pode tornar o cuidado consigo mesmo uma tarefa adiada. Foi diante dessa realidade que José Fritsch, aos 72 anos, tomou uma decisão que considera importante para continuar sua caminhada: parar.
Ex-ministro da Pesca e atual Superintendente Federal do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar de Santa Catarina (MDA/SC), Fritsch passou aproximadamente dois meses afastado das atividades profissionais para cuidar da saúde. A pausa não representou abandono do trabalho ou da vida pública. Mas justamente o contrário: uma escolha consciente para recuperar o equilíbrio e voltar melhor.
“É muito importante isso. Eu parei e agora estou voltando, voltando bem”, testemunha Fritsch.
Segundo ele, o episódio começou com estresse e o levou a procurar atendimento médico. A avaliação profissional indicou a necessidade de afastamento e de uma mudança temporária na rotina. Os exames realizados posteriormente mostraram que o quadro não era grave. Ainda assim, o alerta recebido foi decisivo: se aquela situação continuasse, poderia evoluir para um quadro de depressão.
A experiência fez Fritsch perceber algo que, muitas vezes, a própria rotina impede de enxergar: o cuidado precisa acontecer antes que o limite seja ultrapassado.
Quando parar também é uma decisão de coragem
Ao se afastar do trabalho, Fritsch encontrou no cotidiano doméstico atividades que normalmente ficavam em segundo plano. Cuidou da casa, da esposa Ivoni, das plantas, da horta e dos jardins. Leu livros e assistiu a filmes. A orientação médica ajudou a transformar o período de afastamento em um tempo de recuperação, mas também de redescoberta de atividades simples e essenciais.
“Você vai fazer coisas que, às vezes, você não consegue fazer por causa do seu trabalho: cuidar da casa, da família, da esposa, da Ivone, das plantas, da minha horta, dos meus jardins”, conta Fritsch.
Para quem vive durante anos em uma agenda pública intensa, desacelerar pode exigir tanto compromisso quanto assumir novas responsabilidades. A diferença é que, nesse caso, a responsabilidade é consigo mesmo. O Superintendente também incorporou à rotina atividades físicas orientadas por profissional e a prática da meditação.
“Hoje vejo que a meditação foi o que mais me trouxe resultados, além dos cuidados da minha família e da minha casa.”
A experiência reforçou, para ele, a importância de construir uma rotina que não seja exclusivamente determinada pelo trabalho.



Em 2002, José Fritsch foi nomeado o primeiro ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)
Cuidar de quem cuida
A história ganha uma dimensão ainda mais significativa quando observada à luz da trajetória de Fritsch. São mais de 45 anos de vida pública dedicados à política e à organização de causas populares, especialmente aquelas relacionadas ao campo, à Reforma Agrária e à Agroecologia.
Professor e político, Fritsch participou da fundação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi deputado federal por Santa Catarina, prefeito de Chapecó por dois mandatos, candidato ao Governo do Estado, conselheiro do BNDES e secretário especial de Aquicultura e Pesca.
A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca no final de 2002 e participou da criação do primeiro Ministério da Aquicultura e Pesca do Brasil, tornando-se seu primeiro ministro. Depois, atuou no Terminal Pesqueiro de Laguna e, desde 2023, exerce a função de Superintendente Federal do MDA.
É uma trajetória construída em torno da ideia de serviço público. Justamente por isso, a decisão de interromper temporariamente o ritmo de trabalho ganha outro significado. Quem trabalha por uma causa também precisa cuidar da pessoa que sustenta essa caminhada.
Setembro Amarelo: saúde também é prevenção
A experiência de Fritsch dialoga diretamente com uma mensagem fundamental do Setembro Amarelo: cuidar da saúde mental deve fazer parte da vida cotidiana, e não ser uma atitude tomada apenas quando uma situação chega ao limite.









